Lisboa: uma cidade musical?

Quarta-Feira, 25 Março15h15 - 16h15Talks Room 2 – Palacete dos Marqueses do Pombal Talk
[talk in portuguese]

A música e as cidades estão intimamente ligadas: não podemos imaginar uma cidade sem atividade musical, assim como é difícil dissociar certos géneros e estilos de música popular do ambiente urbano em que surgiram.

Nos últimos anos, o termo “cidade musical” foi adoptado como catch-phrase para designar “um lugar com uma economia musical vibrante que foi intencionalmente apoiada e promovida” por via da política da música. Nessa perspetiva, a música torna-se um ativo valioso para a cidade que “precisa ser avaliado, gerido e avaliado” como qualquer outra infraestrutura urbana. Por outro lado, para os críticos desse paradigma, o conceito de “cidade musical” representa apenas outra estratégia de cima para baixo do branding da cidade para impulsionar o turismo e aumentar a competitividade no contexto global, como exemplifica a Rede de Cidades Musicais da UNESCO.

Neste painel, interroga-se a noção de “cidade da música” em relação ao próspero ecossistema musical de Lisboa e também às ameaças e oportunidades que fenómenos urbanos como a gentrificação e a turistificação representam para a vida musical da cidade. O encerramento de locais tradicionais de música ao vivo, o aumento geral dos preços e do custo de vida, o desenvolvimento de Lisboa como cidade turística e os novos estilos de consumo a ela associados, ou a implementação de novos regulamentos que controlam as atividades nocturnas são alguns dos desenvolvimentos recentes que repensam como Lisboa pode ser uma cidade da música.