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Porque importa medir o valor dos espaços de música ao vivo?

Junho 15, 2020 MIL URL talks

 

É inegável o papel dos espaços de música ao vivo no apoio aos artistas, ao mesmo tempo que promovem a coesão social, a criação de comunidades artísticas e o desenvolvimento do ecossistema musical.

Mas em que medida é possível medir o seu impacto e valor para reforçar a sua importância junto dos decisores políticos?, perguntou Elise Phamgia, coordenadora do projeto Liveurope, quando deu início à conversa que moderou sobre a importância de recolher e analisar dados para medir o impacto dos espaços de música ao vivo nas cidades.


O debate foi composto por Arne Dee, consultor para a rede de salas de espetáculo europeias Live DMA, Lutz Leichsenring, co-fundador do VibeLabThe Creative Footprint, Simon Bray, analista de dados da Music Venue Trust, e Renata Gomes, consultora da Data SIM /SIM São Paulo. Gonçalo Riscado, diretor-geral e co-fundador da CTL – Cultural Trend Lisbon, do Musicbox e do MIL, apresentou um estudo de caso para concluir e ilustrar as principais conclusões deste debate.

PORQUÊ ANALISAR DADOS DOS ESPAÇOS DE MÚSICA AO VIVO?

A análise de dados é, como todos os participantes sublinham, uma ferramenta fundamental para explicar a importância dos espaços de música ao vivo não só a nível artístico e cultural, mas também económico. Assim, as salas de espectáculo podem quantificar o seu valor com uma metodologia percetível para todos, de forma a estabelecer um diálogo com o governo e os decisores políticos. O mapeamento destes espaços e o levantamento de informação detalhada sobre a sua atividade ajuda a compreender os principais desafios que enfrentam e, consequentemente, a traçar um conjunto de soluções. No contexto brasileiro, como explica Renata, nunca foi desenvolvido um projeto com esta génese, por isso o Data SIM surge como uma necessidade para destacar a importância do setor cultural e empoderar a sua comunidade.

METODOLOGIA, RESULTADOS E CONCLUSÕES

O Creative Footprint, apresenta Lutz, mede o impacto da vida noturna e da atividade cultural nas cidades. É um projeto de mapeamento colaborativo e comunitário que demonstra como a música é uma atividade essencial que gera outras atividades sociais e económicas. Abaixo encontram-se o conjunto de parâmetros que o TCF recolhe e agrega: cerca de 25,000 itens que, depois de serem analisados, resultam num índice que, de 1 a 10, mede o tecido cultural das cidades, ou a sua “pegada criativa”. (Berlim 8.02, Nova Iorque 7.29 e Tóquio 6.51).

Metodologia utilizada pelo Vibe Lab na pesquisa Creative Footprint / Fonte: Creative Footprint

Com esta informação, o Creative Footprint desenvolve projetos que partem dos dados. O Lutz dá o exemplo de Berlim, onde implementaram o Club Radar, uma ferramenta que identifica e alerta quanto novos projetos estão a ser construídos demasiado perto das salas de espetáculo.

 

O Live DMA recolhe dados para analisar a situação das salas de espetáculo e clubes na Europa. The Survey, o seu mais recente relatório, foi escrito em 2019 e publicado em Janeiro de 2020. Como Arne descreve, o papel do Live DMA passa por ajudar as associações que integram esta rede a fazer recolha de dados, garantindo que a pesquisa é feita e, acima de tudo, aplicada corretamente.

Dados recolhidos pelo Live DMA

A capacidade média das salas de espetáculo ronda os 375 lugares, nota Arne. Estes espaços mais pequenos são cruciais para os artistas começarem a sua carreira, terem a sua primeira experiência ao vivo e contato com o público: Basicamente, é o sítio onde tudo começa.

O Music Venue Trust, instituição de caridade britânica para as salas de espetáculo grassroots e membro da rede Live DMA, lida, entre outros problemas, com a (não tão) recente tendência do encerramento de salas de concertos. Utilizando o The Survey do Live DMA juntamente com outras ferramentas próprias, esta organização tem conseguido responder à principal questão: porquê? Simon explica que uma das razões está relacionada com queixas de ruído e a falta de recursos para responder legalmente a estas. Embora se verifique uma falta de envolvimento do governo e apoio às salas de concertos de pequena dimensão, o The Agent of Change Principle foi implementado de forma bem-sucedida, o que basicamente declara que se estás a fazer a mudança, és responsável pelos problemas que causam a mudança.

Ao apresentar as principais conclusões do estudo do DATA SIM, Renata diz que o mais intrigante foi verificar como o inquérito ajudou os espaços a melhorar o seu trabalho porque terem pesquisado e recolhido informação sobre o seu trabalho.


RECOLHA DE DADOS & O IMPACTO DO CONFINAMENTO

O Data SIM é o núcleo da SIM São Paulo de pesquisa e organização de dados e informações sobre o mercado da música no Brasil. Já desenvolveram diversas investigações: os espaços de música ao vivo em São Paulo, a participação das mulheres na indústria da música e, mais recentemente, o impacto do COVID-19 no mercado de música brasileiro

Findings of DATA SIM’s research on the impact of COVID-19 / Source: DATA SIM 

Uma das principais conclusões do último estudo é que, no setor da música ao vivo, grande parte das pessoas são microempreendedores. Isto significa que, tal como Arne nota, com o confinamento, as salas de espetáculo comerciais, como parte do resto da indústria, são fortemente afetadas por não terem público nem apoios públicos que cubram os custos fixos.

Lutz afirma que, com a recolha de dados feita antes da crise pandémica, será mais fácil de medir o seu impacto posteriormente. Através do Live DMA, o Arne presta apoio aos membros no preenchimento de inquéritos e na análise dos danos: “a faturação perdida é fácil de recolher e calcular, mas o impacto que isso tem é mais difícil porque muda [de sala para sala]”. Arne acrescenta que a principal preocupação é a sustentabilidade a longo prazo das salas de espetáculo, dado que a grande parte teve acesso a fundos de emergência públicos nos últimos três meses (Março, Abril e Maio), e agora terá de enfrentar o verão sem tournées e com um decréscimo da venda de bilhetes devido ao distanciamento social.

O CASO PORTUGUÊS

Como parte do circuito de salas de espetáculo grassroots português, Gonçalo Riscado apresentou uma iniciativa recente que reúne 22 espaços, a maioria de pequena dimensão, para dar resposta ao impacto da crise pandémica. Perante a inexistência de trabalho feito nesta matéria em Portugal, o conjunto de salas recolheu dados sobre as suas audiências, espetáculos e alcance para demonstrar a relevância do seu trabalho com artistas locais e a dimensão deste setor em território nacional, que emprega muitos profissionais das artes do espetáculo.

A pesquisa feita indica que algumas salas têm uma audiência anual semelhante à dos festivais, mas programam 5 vezes mais artistas. Outros dados indicam que, em conjunto, as 22 salas têm uma audiência anual que ronda o milhão de pessoas. Gonçalo diz que este trabalho ajudará a promover o setor junto dos decisores políticos, a garantir a sua preservação e a captar apoios públicos. Mas, acima de tudo, originou uma importante rede que, pela partilha de experiências e objetivos, se aproximou.

CONVERSA COMPLETA EM VÍDEO

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Mais informação sobre as MIL URL talks.

 

 

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