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Como potenciar a valorização dos espaços independentes de programação de música popular ao vivo, por parte das instituições de poder político?

March 4, 2022 Convention

SÍNTESE DAS CONCLUSÕES

CONTEXTO

Na edição de 2021, o MIL introduziu um novo formato ao seu programa. Os laboratórios de ideias são sessões privadas de trabalho e de debate exploratório focadas em desafios atuais para o setor da música e da cultura. Tendo por base uma questão de partida, os grupos de trabalho, constituídos por agentes culturais em Portugal, são desafiados a definir linhas de resposta enquadradas no âmbito do setor.

Assim, o laboratório de ideias “Como potenciar a valorização dos espaços independentes de programação de música popular ao vivo, por parte das instituições de poder político?” foi uma iniciativa do MIL, que fez o convite a todos os participantes. Foi neste contexto que, no dia 16 de setembro de 2021, sete agentes culturais se juntaram em Lisboa, num encontro proporcionado pela 3.ª edição do festival.

Este documento é a síntese do conhecimento produzido durante o encontro, que teve o contributo de representantes de sete salas independentes de programação de música popular ao vivo, a atuar em Portugal continental. Foram eles: 

  • Grémio Caldense, Caldas da Rainha | Francisca Branco
  • GreTua, Aveiro | Bruno Reis
  • Maus Hábitos, Porto | Daniel Pires
  • Musicbox Lisboa, Lisboa |Gonçalo Riscado
  • Salão Brasil, Coimbra |José Miguel Pereira
  • VALSA, Lisboa | Mariana Serafim
  • Village Underground, Lisboa | Gustavo Rodrigues

O laboratório de ideias foi moderado e orientado por Lutz Leichsenring, fundador do projeto Creative Footprint e porta-voz e membro executivo da plataforma VibeLab.

Como potenciar a valorização dos espaços independentes de programação de música popular ao vivo, por parte das instituições de poder político?”

As restrições resultantes do combate à pandemia causada pela Covid-19 foram particularmente lesivas para o setor cultural, com consequências profundas, por vezes irrecuperáveis, para os espaços independentes de programação de música popular ao vivo. A experiência pandémica e a sua natureza nociva para este setor tiveram, contudo, o efeito afirmativo de expor a importância que estes espaços têm no tecido cultural, social e económico nacional. Por outro lado, a perceção da fragilidade e vulnerabilidade do setor para enfrentar a crise pandémica e eventuais crises futuras, oferece uma oportunidade urgente e reclama a responsabilidade de agir em prol da proteção e da sustentabilidade de todo o seu ecossistema. A importância dos espaços independentes de programação de música popular ao vivo não é residual:

  • constituem uma rede fundamental de apoio à criação, afirmação e circulação de artistas e públicos, uma plataforma para o desenvolvimento e afirmação de carreiras artísticas e um circuito profissionalizante, que integra todos os trabalhadores do setor, desde técnicos, a promotores, produtores ou comunicadores.
  • são espaços com um importante impacto social a nível local, pela capacidade de dinamizarem a atividade cultural dos bairros onde se integram, por serem espaços naturais de participação, interação e socialização.
  • funcionam como eixo fundamental de desenvolvimento de todo o ecossistema da economia noturna das cidades, atraindo públicos e impulsionando a atividade económica de outros espaços e serviços.
  • são espaços aglutinadores que envolvem a comunidade numa programação diversificada, inclusiva e experimental, catalisadora de discursos emergentes. São também, por isso, espaços de participação e de ativismo que contribuem para promover coesão social e criar um sentido de comunidade, frequentemente ameaçado pela ascensão de populismos reacionários e antidemocráticos, próprios de momentos de maior instabilidade social.

Estes espaços são, portanto, veículos de criação de capital cultural, capital social e capital económico.

Assim, face aos desafios atuais e antevendo desafios futuros, os contributos da discussão permitiram identificar:

  1. a necessidade de criar espaços mais seguros. Num contexto pandémico e num futuro pós-pandémico, é necessário criar e assegurar:
  2. estratégias e medidas que promovam comportamentos seguros e inclusivos entre equipas e audiências e que garantam, em todas as circunstâncias, a liberdade e a integridade das pessoas que neles participam.
  3. formas de gestão que, num contexto de crise como é o atual contexto pandémico, permitam o desenvolvimento de estratégias para a implementação de normas básicas internas. O objetivo é que estas normas contribuam, em alternativa – e não em substituição – ao policiamento de restrições obrigatórias, para que a comunidade construa uma perceção de maior segurança associada a cada espaço.
  4. a necessidade de reestruturar e capitalizar os espaços e de os tornar o mais multifuncionais possível, de forma a garantir uma atividade permanente e diversificada, com maior capacidade de adaptação a momentos de maior instabilidade ou risco.

Como conclusão à questão de partida, ficou aparente a convicção, entre todos os participantes, de que os decisores políticos não reconhecem, nem valorizam o impacto que estes espaços têm no desenvolvimento e regeneração do tecido social, cultural e económico das cidades. Assim, todos os participantes identificaram:

  • a necessidade de desenvolver, por parte do conjunto dos espaços independentes de programação de música popular ao vivo, uma estratégia nacional concertada que procure exercer influência sobre as instâncias políticas. Mais do que uma estratégia de lóbi, é importante criar uma estratégia de advocacia política junto de decisores políticos nacionais que promova o conhecimento e o reconhecimento do papel destes espaços, enquanto capitalizadores culturais, sociais e económicos. Esta ação tem como objetivo exercer influência com vista à implementação de medidas de apoio a longo prazo, que garantam a sustentabilidade e a autonomia da atividade dos espaços independentes de programação de música popular ao vivo, em contextos de maior e menor estabilidade social e económica.

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