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Big data at the service of the music industry

Julho 3, 2020 MIL URL talks

 

Como são os dados armazenados, geridos e distribuidos?

Dados. Esta palavra de cinco letras, que representa um pequeno pedaço de informação que pode significar muito – ou pouco sem as ferramentas certas -, está agora no centro do léxico da indústria da música, causando grandes transformações no modo como a indústria opera. De que forma?

Numa MIL URL talk moderada por Eamonn Forde, jornalista do Music Ally, Dorian Perron, co-fundador da Groover e JUMP fellowEmily Kendrick, Global Product & Events Manager da XL Recordings, e Sophie Goossens, advogada na Reed Smith LLP, desconstruiram o modo como  os dados são utilizados, armazenados e distribuídos.

 QUANTIDADE vs QUALIDADE

Existe uma grande quantidade de dados disponíveis, mas muitos dados não significa bons dados, introduz Eamonn Forde. Mas como é possível dar conta desta tensão entre qualidade e quantidade, de forma a entender como podem os dados ser úteis?

Os dados podem contar uma história tanto boa quanto má, diz Emily Kendrick. Para ela, contexto e tempo são muito importantes: os dados ajudam a reagir a algo, tal como o modo como os fãs interagem com determinadas coisas, mas é importante olhar para estes momentos a longo prazo e dentro de um contexto alargado. Dorian vê os dados como o novo petróleo. Por um lado, os dados surgem em bruto, “são apenas linhas numa folha de cálculo” e, por isso, tal como o petróleo, necessitam de ser refinados, de ser tratados e organizados para serem úteis. Por isso, é o modo como se recolhe e analisa os dados que os tornam ferramentas e recursos essenciais.

De um ponto de vista legal, a Sophie aponta o debate que existe em torno da propriedade dos dados  e a questão de ser ou não possível atribuir propriedade dos dados e determinar quem tem acesso aos mesmos ou não. Tendo em conta que os dados se tornaram uma parte tão importante dos modelos de negócio de algumas empresas, tal é o caso da Groover, a ideia de protegê-los e impedir que os mesmos sejam usados por terceiros tornou-se uma questão fundamental.

DADOS = TRANSPARÊNCIA?

Por vezes, os dados são tidos como sinónimo de transparência, o que leva a crer que, assim sendo, tudo o resto também é transparente. Mas é um dado adquirido que as duas coisas não andam necessariamente lado a lado.

A Emily destaca o modo como os diferentes DSPs (digital service providers) gerem a transparência quanto aos seus dados. Por outro lado, na XL Recordings tentam trabalhar como intérpretes dos dados, reunindo a informação de diferentes fontes para a tornar perceptível e compreensível para os artistas. Ademais, os artistas e as editoras têm agora mais conhecimentos e acesso aos números, o que também cria uma pressão adicional às editoras relativamente às informações que dão.

O Dorian introduz um ponto de vista diferente a esta questão: será que as plataformas se recusam, de facto, a mostrar os dados ou, por outro lado, não são capazes de os apresentar porque não conseguem analisá-los corretamente? Para além disso, no que diz respeito à sua própria experiência profissional com a Groover, também se trata de ser transparente para quem: a base do serviço implica que a opinião que é dado por profissionais é privado para os artistas, o que pode não se alinhar com a ideia de transparência no seu sentido mais literal, colocando em causa a própria existência da plataforma.

A Sophie refere o facto de que a recente diretiva sobre os direitos de autor endereçou este problema ao incluir no texto o direito a obter informação suficiente para controlar as receitas e direitos que estão a ser pagos. Isto significa que existe “uma nova obrigação que levar os DSPs a partilhar dados com as pessoas com quem têm um contrato”, o que significa, consequentemente, que esta informação deve ser passada aos artistas. E caso o artista não receba a informação que pretende, tem também o direito de contactar diretamente o DSP. Está ainda para ser visto o modo como isto irá funcionar na prática, mas Sophie está certa de que terá impacto.

E A GDPR?

Muitos dos dados são provenientes da atividade dos consumidores. Por isso, o Regulamento Geral da Proteção de Dados alterou o modo como os dados são utilizados. Como o Dorian diz, a GDPR teve grande impacto nos dados pessoais. Isto significa que este regulamento adicionou mais trabalhado legal e regulador para garantir que todas as normas são cumpridas, mudando o modo como as pessoas podem chegar a potenciais consumidores, relembra a Sophie. A Emily reconhece que é algo que é difícil de dominar na sua totalidade, especialmente com artistas, que podem encontrar alguns impedimentos no contato com os fãs, em particular no cruzamento com as diferentes fontes de receita que têm. Adicionalmente, ao trabalharem com parceiros de distribuição digital, os mesmos reúnem dados sobre consumidores e fãs que são úteis para os artistas mas que os mesmos não detêm.

LIGAR (E COMPREENDER) AS PONTAS SOLTAS

Antes, a análise de dados focava-se nas vendas de CDs ou bilhetes, mas agora multiplicaram-se as fontes de dados, que vão desde o streaming, às redes sociais, vendas e outros. Isto resulta em grupos de dados individuais que necessitam de ser analisados em separado e depois em conjunto, de forma a compreender de que modo os mesmos se implicam uns aos outros. Mas o trabalho de fazer ligações entre os dados está longe de ser simples. Para isso, é necessário não só ter acesso aos dados, mas também ter a capacidade de compreender, processar e cruzá-los.

Isto levanta outra questão: tal só é exequível tendo os recursos e a experiência, o que levou várias empresas a recrutar analistas de dados e a criar departamentos especializados para os gerir, tal é o caso da Beggars, casa da XL Recordings.

Mas, dado que nem todas as editoras, especialmente as mais pequenas, têm os meios para fazer este investimento, estaremos perante o surgimento de um sistema de classes em termos de acesso aos dados? A Sophie reconhece que este pode ser um risco, embora exista toda uma gama de plataformas que trabalham com editoras que não conseguem fazer este trabalho autonomamente. Tomando como exemplo o caso da Believe Digital Distribution, a advogada afirma que a primeira qualidade de qualquer distribuidor digital hoje é que ser, antes de mais nada, um excelente operador de tecnologia”, colmatando, assim, uma lacuna para os intervenientes de pequena dimensão.

 CONVERSA COMPLETA EM VÍDEO 

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Mais informações sobre as MIL URL talks.

 

 

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